Música x Direitos Autorais

O que é LEGAL está aqui

O Teatro Mágico

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Fonte: Divulgação

O que é O Teatro Mágico?

Uma mistura de circo, poesia, dança, teatro e música esta é melhor forma de definir o Teatro Mágico. A trupe liderada por Fernando Anitelli é destaque nos principais veículos de comunicação da internet e do país. O Teatro Mágico desperta a curiosidade da opinião pública por sua veia artística e por seu bem-sucedido modelo de produção, avesso aos esquemas das grandes gravadoras. “Longe da crítica, perto do público”, assim relatou o jornal a Folha de S. Paulo, elegendo, através de seus leitores, a companhia musical e circense como Melhor Espetáculo de 2007.

As influências do grupo são as mais variadas, vão de Secos & Molhados ao Cirque Du Soleil, passando pelo poeta gaúcho Mário Quintana. Os instrumentos também são diversos, violino, percussão, guitarras, teclado, violões, sax e instrumentos indígenas. O diferencial também está na forma de divulgação, a participação do público em sites de relacionamentos como orkut, myspace a disponibilização de vídeos no youtube e a distribuição das músicas de forma gratuita garantem ao Teatro Mágico o reconhecimento do trabalho e uma ampla divulgação, maior até do que muitas bandas que aparecem na mídia convencional.

O primeiro CD, “Entrada Para Raros”, gravado em 2003 já vendeu mais de 100 mil cópias. Exatamente, mesmo disponibilizando as músicas na internet, os fãs compram os CDs da banda, que são vendidos por R$ 5,00 durante os shows e também na Lojinha do site, onde é possível adquirir também DVDs, camisetas e um livro de poesias. Em junho de 2008, um dia antes do lançamento oficial do segundo CD, intitulado “O 2º Ato”, as 20 primeiras músicas mais baixadas do site da Trama Virtual eram do Teatro Mágico. Em 48 horas de disponibilizacão das músicas o número de downloads já ultrapassava 90 mil.

O nome

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O nome foi tirado do livro “O Lobo da Estepe”, de Herman Hesse. Em uma passagem, a personagem principal se depara com uma placa onde se lê: “Esta noite o Teatro Mágico – Entrada para raros”

A assim segue o Teatro Mágico, vestindo a camiseta da música e da cultura livre, o grupo do interior de Osasco, interior de São Paulo, mesmo sem o apoio de grandes gravadoras e sem dispor de grandes verbas publicitárias, transformou-se em fenômeno entre o público jovem e entre aquelas que gostam de conteúdos alternativos. Os milhares de fãs espalhados pelo país inteiro se encarregam de divulgar o trabalho dos artistas que já se apresentaram em todos os estados do Brasil. Em seu último na capital gaúcha, a trupe reuniu quase 2 mil pessoas.

Veja parte do primeiro show do Teatro Mágico no Rio Grande do sul, em agosto de 2008:

Veja parte do segundo show do Teatro Mágico em Porto Alegre, em dezembro de 2008:

Independência

O Teatro Mágico é a favor da disponibilização de seus trabalhos na internet, Fernando Anitelli, o vocalista, declara seu apoio irrestrito à internet livre em notícia publicada no site da banda: “Por que é que ao invés de criminalizar os internautas, eles não criminalizam o jabá?!?!?!”

Ouça AQUI Fernando falando sobre a independência e defendendo o livre acesso a cultura, a educação, a música. Idéias que O Teatro Mágico adota na prática.

Fãs

O Teatro Mágico vem conquistando mais e mais fãs por onde passa. Esses fãs aderem a brincadeira feita pelo grupo, se vestindo como a trupe e entrando no encanto da apresentação, não somente através das vozes cantando junto da banda, mas também visualmente, como cita Fernando no vídeo abaixo, ou seja, pintam seus rostos, colocam seus narizes de palhaço e se unem ao Teatro Mágico durante o espetáculo.

No Rio Grande do Sul, a gaúcha Juliana Chaves, 23 anos, estudante de jornalismo, estava procurando bandas novas de mpb no tramavirtual e encontrou O Teatro Mágico. “Logo de cara me identifiquei com o nome da banda e fui ouvir. Gostei da proposta, das músicas e da caracterização. Alguns meses depois eles fizeram o primeiro show em Porto Alegre e eu fui com mais alguns amigos.” diz a futura jornalista. Para Juliana, o que mais atrai no Teatro Mágico é a idéia de misturar tudo: teatro, circo e música, pois ela acha que assim a trupe incentiva a arte, a realização de Sarau, além de trabalharem em busca da liberdadade de poetar.

Juliana apóia o trabalho independente e diz que espera que “O Teatro Mágico não se venda para a grande mídia nem grave cds com gravadoras, pois a essência deles está por serem um grupo alternativo, que deu certo e que conquistou o publico por ter seu material democratizado na internet”.

Fernando, o vocalista,  fala do projeto que é proposto pelo Teatro Mágico e sobre a arte independente:

Em Goiânia, Marcelo Menezes Lemos, 24 anos, estudante de arqueologia, diz que conheceu o Teatro Mágico também através da internet, por acaso, no site last.fm. “O Teatro Mágico apareceu como  musicas recomendadas, aí baixei e gostei. O que mais me chamou a atenção foi o nome tirado de um livro chamado O Lobo da estepe de  Herman Hesse” diz o estudante que acompanha a banda desde 2007. Desde então Marcelo, que achou neles um belo trabalho (caracterizando-os como uma mistura letras fofinhas e arte de circo), segue acompanhando O Teatro Mágico e diz estar aguardado o show deles em Goiânia, para finalmente poder vê-los ao vivo.

Novo trabalho

segundo ato“O Teatro Mágico: Segundo Ato” é o mais recente álbum de Fernando Anitelli e sua trupe. As composições escolhidas colocam em debate o homem e a sociedade na qual vive. No primeiro CD (Entrada para Raros), a trupe estava imersa num universo paralelo, num lugar onde tudo era possível, falávamos de lutar pelos nossos ideais, pelos sonhos. No “Segundo Ato”, a gente dialoga sobre como realizar isso. É como se a trupe chegasse na cidade e se deparasse com as questões sociais e urbanas, como o cotidiano dos mendigos citados na música “Cidadão de Papelão” ou a problemática da mecanização do trabalho, questionada na canção “O Mérito e o Monstro”. Indo mais além, na música “Xanéu nº5″, há um debate sutil e, por vias opostas, mordaz, sobre o amontoado de informações que absorvemos, sem perceber, assistindo aos programas de TV da atualidade”, explica Anitelli.

O Teatro Mágico fala

Como vocês explicam o sucesso da trupe sem o apoio de uma grande gravadora e sem grandes custos de divulgação?
– O Teatro Mágico é como um vírus bom da internet, Desde que começamos, em dezembro de 2003, nossa principal forma de divulgação são nossos fãs e a internet. Sempre incentivamos uma pirataria saudável, os fãs filmam os shows e postam no You Tube, as músicas podem ser baixadas de graça. Nossos CDs são vendidos por cinco reais depois das apresentações e por dez reais através do site. Se um fã comprar o cd e depois fizer várias cópias para presentear os amigos, estaremos cumprindo nosso papel. Se ele preferir baixar as músicas e depois gravá-las em um cd, não tem problema. O importante é que as músicas e cultura em geral sejam acessíveis a todos.

Existe a possibilidade de o Teatro Mágico fechar contrato com alguma grande gravadora? Por quê?
– Sempre partimos do princípio de ser independentes. Não somos como alguns grupos que, por não terem gravadora, vão fazendo algo almejando à indústria. Já tentaram transformar a gente em bonequinho, figurinha de chiclete, joguinho, todas as gravadoras vieram nos procurar e a resposta foi não. A gente não quer virar esse tipo de coisa. Nosso sistema e trabalho são outro. Vai poder vender um CD por R$ 10,00 na mão do nosso público? Pode liberar todas as músicas de graça na internet? Se não pode, não nos interessa. A nossa luta prevalece.

Como é a relação do Teatro Mágico com o seu público?
– Nosso público funciona como co-autor, sente como se fosse parte da trupe. Algumas pessoas vêm maquiadas para os nossos shows, oferecem textos para serem lidos no palco, o show se transforma em um grande sarau amplificado. Então as pessoas que vinham nos ver passaram a ser nossos mecenas, assistiam o show e faziam uma comunidade no Orkut. Se as pessoas são bem relacionadas, a comunidade cresce, o que para nós é fantástico, pois ganhamos uma divulgação boca a boca.

Veja algumas fotos de shows realizados no sul do Brasil:

Fotos: Mônica Patrícia

Fotos: Mônica Patrícia

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junho 18, 2009 Posted by | Entrevista, Internet | , , , , , , | 4 Comentários

Entrevista: Paulo James, dos Acústicos & Valvulados, fala sobre composição, música e Direito Autoral na Era da Internet

Paulo James - nosso entrevistado

Paulo James - nosso entrevistado (Foto: Pauline Costa)

Cristalinos acordes de violões amplificados por poderosas caixas valvuladas. O espírito roqueiro do Acústicos & Valvulados começa no próprio nome da banda. Desde seu início, impôs um estilo bem particular a sua música.

Em entrevista via e-mail para o Música x Direitos Autoriais, o principal compositor da banda, Paulo James, 37 anos, músico, compositor, jornalista formado pela UFRGS, e agora pai, falou um pouco sobre o trabalho realizado pelos Acústicos & Valvulados e sua posição diante do atual mercado fonográfico, ameaçado pela livre distribuição de músicas através da internet.

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Fotos: Pauline Costa

Música x Direitos Autorais – Como você vê o compartilhamento de músicas for free na internet: divulgação de trabalho, desrespeito à obra ou tendência de mercado?

Paulo James – Tem de tudo um pouco [risos]. Mas, mais do que isso, é a tecnologia disponível e a vontade/comportamento do público que criam essa situação. Sempre houve troca de música – desde os tempos do vinil, da fita K7, etc. O que rola agora é uma facilidade enorme de comunicação, de transferência de dados, o que acelerou e aumentou pra caralho esse processo de troca. A liberdade do público tem que ser preservada, porque é positiva. Mas acho que onde rola lucro com a música, esse lucro deve ser repartido com quem detem os direitos autorais e artísticos. Enfim, não se deve cobrar do público, mas sim dividir o faturamento publicitário.

MxDA – Como você classificaria o trabalho do Ecade (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição)? Sendo o único órgão responsável a atribuir os devidos valores aos direitos autorais ele cumpre a contento o seu papel?

PJ – Olha, comigo sempre funcionou, pelo menos dentro desse modelo que tá aí. Claro que falta muita coisa, mas o Ecad não é o único culpado. Falta conscientização dos contratantes de música ao vivo, e da mídia em geral, pra pagar os direitos. Por exemplo: de 10 shows, dois são efetivamente pagos. E tem muito veículo de mídia que lucra legal usando a música como carro-chefe da programação mas não paga os direitos dos autores dessa música.

Falta informação pros músicos e compositores, que não sabem como buscar seus direitos autorais e conexos, etc.

Quanto à questão da “atribuição de valores”, sempre é uma porcentagem da arrecadação que um contratante de show, promotor de festa, veículo de mídia, comércio, serviço tem ao utilizar a música pra faturar. Pra mim é isso mesmo que deve acontecer, não vejo outra maneira.

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MxDA – O Youtube, desde o ano passado, travou uma guerra contra os usuários a fim de garantir as medidas impostas pelas gravadoras na proteção dos direitos autorais. Entre as principais estão a medida que ‘cala’ vídeos feitos por internautas que utiliza músicas protegidas e a retirada de videos em perfis não oficiais ao mesmo tempo em que muitos não permitem a incorporação de videos em sites, blogs e páginas pessoais. O que você acha disso? É possível que o compositor receba pelo número de execução no Youtube ou outros agregadores de videos?

PJ – Bom, eu gostaria de receber [risos]. Acho que o YouTube (e outros) podem pagar os autores/gravadoras/artistas com parte da grana que ganha da publicidade. E é bastante grana que eles faturam com publicidade! Enfim, se a música está sendo usada pro cara lucrar, não vejo motivo pra não dividir esses pilas. Já retirar vídeos do ar é bobagem, é um faz-de-conta. O YouTube só “cumpre a lei” pra não comprar briga com a justiça, sabendo que logo em seguida outra pessoa vai lá e posta outro vídeo, num ciclo sem fim. É como fechar o Napster, que saiu de cena só pra dar lugar a outros mecanismos parecidos. A real é que não tem cabimento querer travar a expressão das pessoas, que usam a tecnologia e sempre serão criativas ao usar essa tecnologia, inventando novas formas de uso, novos programas, novas comunidades, etc.

Se o YouTube vai cobrar pelo serviço, sei lá. Muita gente pode pagar, mas outra penca de pessoas vai migrar pro próximo serviço gratuito, que certamente ganhará público. E assim por diante. Mais fácil seria eles abrirem a mão mesmo, dividir com os artistas, ao invés de embolsar todo o lucro publicitário.

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Fotos: Mônica Patrícia

MxDA – A quem pertence a música: à gravadora ou ao compositor? Se for ao compositor, por que são as gravadoras que impõem as regras de distribuição de conteúdo?

PJ – Pois é, isso é um lance simples, mas pouca gente saca. É assim: a autoria, claro, é do compositor. Nisso ninguém mexe. Mas quando tu faz contrato com uma gravadora, ocorre uma cessão de direitos. O que tu gravar durante este contrato, que são os fonogramas ou videofonogramas (aquela gravação específica daquela obra), são da gravadora. Tanto é que, da venda do CD/DVD, a gravadora ganha 95% e a banda 5%. Dos 95% da gravadora, uma parte é para direitos autorais – tipo 10% da planilha do CD, que vai ser dividida entre todos os autores que cederam sons praquele CD. Já se o cara é independente, e paga sua própria gravação, sua divulgação, etc., o fonograma é dele, e aí sim ele pode fazer o que bem entender, sem dar explicação a mais ninguém.

MxDA – Internet x Direitos Autorais: como você vê isso em um futuro próximo e qual seria uma solução para, senão terminar, amenizar o impasse?

PJ – Uma boa saída é direcionar parte da grana que os sites arrecadam com publicidade para pagamento dos autores, músicos, gravadoras, etc.  Simples, fácil e justo. E a tentativa de cobrar do público é besteira, não tem razão mesmo.

MxDA – Que medidas estão sendo tomadas para que o trabalho siga adiante sem ser prejudicado, tanto o trabalho, quanto a divulgação que hoje em dia depende também da internet?

PJ – Olha, o lance da divulgação é bem legal, te faz chegar mais longe, mais rápido. A gente sempre utilizou a Internet, dá pra dizer que desde os “primórdios” [risos]. Site, blog, emails, fotolog, sempre tem uns MP3 disponíveis, uns vídeos no YouTube, etc. Enfim, estamos em sintonia com o modelo que tá aí, mas torcemos pra que haja mais reconhecimento do trabalho dos músicos e autores, e que se evolua pra um sistema mais justo nesse sentido.

MxDA –  Quantas músicas você já compôs e para quem?

PJ – Mais de cem músicas, tranqüilamente, e a grande maioria pros Acústicos.

MxDA – Qual o maior sucesso de execução?

Essa é uma briga boa…Ou é Até A Hora de Parar ou Fim de Tarde Com Você.

MxDA – Além dos Direitos Autorais de onde vem a sua renda e, em percentuais, quanto disso provém apenas de Direitos Autorais?

PJ – Bah, rapá…Não faço tanto cálculo assim [risos]. Sou músico e compositor, ganho dos shows (mais), dos direitos autorais (médio) e da venda de CDs (pouco).

Sobre o Acústicos & Valvulados

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Foto: Mônica Patrícia

O Acústicos & Valvulados é uma banda de rock, mais especificadamente, rock gaúcho, formada em 1991. Nascida no rockabilly e ao longo dos anos desdobrou-se em rocks, folks, canções e baladas, em 1996, a gravadora Paradoxx apostou no rock do quarteto, e colocou na praça “God Bless Your Ass”. E mais adiante, a banda disparou com a incursão no mercado fonográfico que aconteceria em 1999, com o lançamento de um álbum homônimo.

Acústicos & Valvulados foi lançado pela Abril Music, em 2000. Com seu segundo disco na praça, com o mesmo nome da banda, o grupo viveu a sua primeira decepção com uma gravadora. Com o encerramento das atividades da empresa, a banda voltou a seu espírito independente.

Amadurecida esperou até 2001 para colocar nas prateleiras um novo disco, novamente chamado apenas de Acústicos & Valvulados. Em 2003 lançou o “Creme Dental Rock N’ Roll”, com a idéia de que esse deveria estar na boca de todos. E foi o que aconteceu: em 2005. “Esse Som Me Faz Tão Bem” foi lançado.

O trabalho mais atual da banda se chama “Acústico, ao vivo e a cores”, lançado no ano de 2007, em comemoração aos 15 anos de estrada. De terno e All Star, junto de seus fãs e amigos, a banda registrou essa comemoração no Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre com participações especiais de importantes músicos gaúchos: Tchê Gomes, TNT, Márcio Petracco, Luciano Leães e Alexandre Papel Loureiro.

O CD e DVD “Acústico, ao vivo e a cores” é composto por 20 faixas, entre elas, seus maiores sucessos em um formato diferenciado, além do resgate de músicas menos conhecidas, quatro músicas inéditas (sendo três compostas por Alexandre Móica). Os Acústicos & Valvulados são Rafael Malenotti (voz), Alexandre Móica (violão e voz), Paulo James (bateria), Daniel Mossmann (violão) e Diego Lopes (baixo, piano e voz).

acusticos_mp5 Foto: Mônica Patrícia

Áudios: Ouça Acústicos & Valvulados:
Página da banda no MySpace | Site Oficial

abril 2, 2009 Posted by | Entrevista | , , , | 3 Comentários