Música x Direitos Autorais

O que é LEGAL está aqui

A internet e as novas maneiras de ouvir música

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Foto: Cler Oliveira

Nas ruas, nas praças, ônibus, supermercados. As novas mídias trouxeram mobilidade a um dos tipos de lazer mais comuns entre os jovens: ouvir música. Se há muitos anos, para apreciar o trabaho de um cantor, a família se reunia em volta de um aparelho clássico, porém desengonçado, chamado Gramofone, hoje, o hábito de ouvir música pode ser, graças à tecnologia, um ato individual.

Cada um, por meio de pequenos players ou mesmo enquanto trabalha no seu computador, tem a sua disposição uma variedade infinita de músicas, sejam elas em MP3 ou via Streaming (na qual se ouve sem baixar).

Mas essa facilidade tem um preço que nem sempre os usuários estão dispostos a pagar que são os Direitos Autorais de obras fonográficas. Valores embutidos automaticamente em todos os materiais originais que saem via gravadora.

A internet mudou muitos dos hábitos de quem costumava comprar CD, como os da Fisioterapeuta Caroline Basegio, 25, que admite comprar CDs apenas de bandas que gosta e faz uso, cada vez mais, da internet para ouvir música.

Myspace

MySpaceUm dos meios mais conhecidos de ouvir músicas sem infringir nenhuma lei de direito autoral é o MySpace, a segunda rede social mais popular do mundo. O site é conhecido por ser um dos meios mais fáceis de divulgar trabalhos de novas bandas e cantores. Atualmente, reúne mais de 11 milhões de perfis de artistas entre profissionais, amadores e principiantes. No Brasil, catapultou bandas como Fresno e a cantora folk Mallu Magalhães do meio virtual ao estrelato físico.

Grandes nomes da música como Coldplay e até a hard rocker Guns n’ Roses optaram por lançar seus álbuns primeiro por lá e depois colocá-los nas prateleiras, afirmando que, desta forma, o produto físico se torna mais popular.E, de fato, pode ser.

“O verdadeiro fã compra o álbum, independente do valor. Nada melhor do que ter um produto com um bom acabamento nas mãos. Ouvir via Streaming é mais uma opção para que se conheça mais músicas e bandas”, (Lucas Vidal, 28, comerciante, fã de U2)

Blip.FM

blipUma rede social relativamente nova, que ainda não figura entre as mais conhecidas no mundo, vem chamando atenção por ser um dos meios mais interativos para ouvir música na internet. O Blip.FM pode ser definido como a união de diversas redes sociais que deram certo. Do Last FM pegou a facilidade de escolher e ouvir músicas via Streaming. Do Twitter, a comunicação entre os úsuários por meio de 140 caracteres e do Orkut, a possibilidade de reconhecer ser fã dos melhores Djs da rede por meio de props, que nada mais são do que pontos de recomendação às canções escolhidas pelos participantes.

Um passeio pelo Blip

A queda da indústria fonográfica

Há duas décadas, no início dos anos 90, a indústria fonográfica ainda desfrutava seu momento de glória. No entanto, com a propagação da internet, esse cenário passou a mudar lentamente e, através da troca de músicas via web, a indústria fonográfica começou a vivenciar uma crise que segue até hoje, intensificando no início dos anos 2000, a crise se fortaleceu com o fácil acesso à gravadores de CD’s, proporcionando o luxo da seleção das músicas que são gravadas.

Conforme os dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos, a indústria realmente vem decaindo com o passar dos anos, é possível observar isso através dos dados disponíveis na tabela abaixo:

Evolução das vendas de Cd’s musicais no Brasil (2002/2006)

ANO Vendas Totais CD + DVD (R$) Unidades Totais (CD + DVD)
2002 726 milhões 75 milhões
2003 601 milhões 56 milhões
2004 706 milhões 66 milhões
2005 615.2 milhões 52,9 milhões
2006 454.2 milhões 37,7 milhões
2007 312.5 milhões 31.3 milhões
Variação(2006/2007) (- 31,2 %) (- 17,2 %)

Fonte: ABPD (valores reportados pelas maiores companhias fonográficas operantes no país à ABPD).

Nei Lisboa e a sua Webvitrola

webvitrola“Ainda há quem pretenda culpar o MP3 pela absoluta crise e derrocada da indústria fonográfica. Mas o formatinho compacto, ou sua atividade de troca, ao menos, já vai virando passado. É o streaming – transmissão pela rede, sem cópia integral dos arquivos – quem começa a tomar conta do nosso imaginário e da realidade, em um caminho previsível de se ter a música não mais como produto e sim como serviço.” (Nei Lisboa)

O artista gaúcho Nei Lisboa é um gênio, não apenas na arte de compor e interpretar suas músicas, mas também quando o assunto é visão de mercado. Tanto que criou a Webvitrola, um player de 2,7 MB que você copia para o seu desktop ou pen drive com certificação digital da Codomo. Basta estar conectado a uma banda larga para ouvir, com boa qualidade, a discografia completa do cantor. Com isso, Nei distribui sua obra de maneira legal, gratuita e, de quebra, ganha a simpatia dos fãs.

março 12, 2009 Posted by | Internet, Streaming | , , , , , , , , , | Deixe um comentário